sexta-feira, 14 de maio de 2021

Coisas Com Vida

 Em uma galáxia não muito distante, nasce um novo projeto para pensar nas coisas e em seus efeitos. Aceite o convite, um chamado para olhar o mundo material a nossa volta!

Acesse: Projeto Coisas Com Vida!



sexta-feira, 4 de maio de 2018

Cinema e Antropologia (de 7 a 30 de Maio 2018)

Entre os dias 7 e 30 de maio, o CINUSP Paulo Emílio apresenta a mostra Cinema e Antropologia, explorando algumas das teorias e práticas do cinema antropológico desenvolvidas durante o último século. A curadoria realizada pelo CINUSP em parceria com Richard Peña, professor emérito da Columbia University, busca estimular a produção e transmissão de conhecimento antropológico, estabelecendo um diálogo e uma reflexão a respeito da relação entre cultura e indivíduo, entre reencenações, rituais, viagens e olhares.

Programação:

07/05 | segunda
16h00  COME BACK, AFRICA
19h00  BARAKA

08/05 | terça
16h00  LEVIATÃ
19h00  PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO

09/05 | quarta
16h00  PEOPLE’S PARK
19h00  NANOOK, O ESQUIMÓ + PALESTRA

10/05 | quinta
16h00  MANAKAMANA
19h00  PÁSSAROS MORTOS + OS MESTRES LOUCOS + PALESTRA

11/05 | sexta
16h00  FLORESTA DE ÊXTASE
19h00  HOSPITAL + PALESTRA

14/05 | segunda
16h00  CANIBA
19h00  EL NIÑO FIDENCIO + THE AX FIGHT + PALESTRA

15/05 | terça
16h00  CRÔNICA DE UM VERÃO
19h00  TWO LAWS + PALESTRA

16/05 | quarta
16h00  PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO
19h00  SWEETGRASS + PALESTRA

17/05 | quinta
16h00  BARAKA
19h00  LEVIATÃ + PALESTRA



18/05 | sexta
16h00  BABILÔNIA 2000
19h00  PEOPLE’S PARK + PALESTRA

21/05 | segunda
16h00  ARAYA
19h00  MANAKAMANA

22/05 | terça
16h00  HOSPITAL
19h00  CANIBA + PALESTRA

23/05 | quarta
16h00  SANTO FORTE
19h00  FLORESTA DE ÊXTASE

24/05 | quinta
16h00  EL NIÑO FIDENCIO + THE AX FIGHT
19h00  CRÔNICA DE UM VERÃO

25/05 | sexta
16h00 SWEETGRASS
19h00 COME BACK, AFRICA

28/05 | segunda
16h00  PÁSSAROS MORTOS + OS MESTRES LOUCOS
19h00  SANTO FORTE

29/05 | terça
16h00  NANOOK, O ESQUIMÓ
19h00  BARAKA

30/05 | quarta
16h00  ARAYA
19h00  BABILÔNIA 2000
entrada franca

CINUSP
/cidade universitária
r do anfiteatro 181  favo 04
11 3091 3540

terça-feira, 23 de maio de 2017

XII RAM 2017

O próximo encontro da RAM - Reunião de Antropologia do Mercosul, acontecerá em Posadas, Argentina, de 04 a 07 de Dezembro de 2017.

Site do Evento: XII RAM 2017

Divulgando o GT: 

CONFLICTOS EPISTEMOLÓGICOS Y ONTOLÓGICOS EN TORNO A LA TECNOCIENCIA Y LA DESIGUALDAD SOCIAL

Coordinan:
Dra. Magda dos Santos Ribeiro, Departamento de Antropologia, Universidade de São Paulo, Brasil
Mag. Santiago Alzugaray, Unidad Académica de la Comisión Sectorial de Investigación Científica, Universidad de la República, Uruguay.
Dr. Juan Martin Dabezies, Centro Universitario Regional del Este, Universidad de la República, Uruguay

Resumen
La tecnociencia ha sido y es uno de los tantos factores productores y reproductores de desigualdad social. El vínculo entre conocimiento científico e innovación productiva, con el consiguiente direccionamiento de agendas de investigación y desarrollo tecnológico hacia la satisfacción de “necesidades” de mercado, tiene como contraparte la generación de espacios de ignorancia políticamente construidos. Tanto las líneas de avance de la construcción de conocimiento científico y del desarrollo tecnológico, como lo que éstas omiten o dejan de lado, generan conflictos de distinto tipo. Conflictos epistemológicos en el encuentro del conocimiento científico con otros tipos de conocimiento, o en contraste entre el conocimiento local y la ignorancia políticamente construida; conflictos ontológicos en el encuentro de conocimientos sobre una misma materia, pero que responden a concepciones de mundo distintas; conflictos que se producen en torno a situaciones de desigualdad social relacionada de una forma u otra con la tecnociencia. El objetivo de este grupo de trabajo es generar un espacio de intercambio en el que esas coincidencias puedan emerger; la convocatoria es a colegas que puedan compartir experiencias de investigación en torno a conflictos vinculados con tecnociencia y desigualdad social.

Fechas importantes:
Envío de resúmenes: 10 de julio 2017
Envío de ponencias: 16 de octubre 2017

Divulguem, inscrevam-se!



domingo, 6 de novembro de 2016

VI ReACT Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia

A IV ReACT acontecerá entre os dias 16 e 19 de Maio de 2017, em São Paulo.

¨Acorçoar-se, reagir. Pós-disciplinar praticante, a VI ReACT quer seguir valendo-se da (in)vocação da dúvida, abrir-se para aquém e além da antropologia que tão mal descansa em sua originalmente obsoleta unidade de análise. Mas outras pertinências, participações, pertencimentos. Outros possíveis, outros nós. Por uma antropologia não antropocêntrica. Entre-reagiremos¨

Envie sua proposta de trabalho até 15 de Dezembro: IV ReACT 2017

Conheça os Seminários Temáticos: IV ReACT ST Aprovados

Saiba mais sobre o Encontro: IV ReACT São Paulo

Participe!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

II Seminário de experimentações etnográficas da UFSCar

Está próximo o II seminário de experimentações etnográficas da UFSCar. 
Evento organizado pelo LE-E - Laboratório de Experimentações Etnográficas.

Participe e se inscreva através do e-mail: lee@ufscar.br
Conheça o LE-E: https://leeufscar.wordpress.com


sábado, 1 de outubro de 2016

A ontologia depois da antropologia

De que maneira a chamada virada ontológica na antropologia pode redefinir o que a ontologia moderna e ocidental é na prática e, ainda, oferecer o início de novo pluralismo ontológico? Essa pergunta orienta muitos dos textos que compõe essa nova publicação: 
Comparative Metaphysics: Ontology After Anthropology
Edited by Pierre Charbonnier, Gildas Salmon, and Peter Skafish

A obra apresenta questões instigantes e atuais acerca do conhecimento antropológico por meio de uma variedade de perspectivas. Eduardo Viveiros de Castro, Marilyn Strathern, Philippe Descola, Bruno Latour, entre outros, exploram de que maneira a antropologia de inspiração filosófica faz conjecturas capazes de abrir novos horizontes para o pensamento crítico. 


Part I: Comparison, symmetry, pluralism 
1. Varieties of Ontological Pluralism, Philippe Descola / 
2. On Ontological Delegation: The Birth of Neoclassical Anthropology, Gildas Salmon / 3. Connections, Friends and their Relations: An Issue in Knowledge-making, Marilyn Strathern / 
4. We Have Never Been Pluralist: On Lateral and Frontal Comparisons in the Ontological Turn, Matei Candea / 
Part II: Conceptual Alteration: Theory and Method 
5. Anthropological Meditations, or, The Discourse on Comparative Method, Patrice Maniglier / 
6. The Contingency of Concepts: Transcendental Deduction and Ethnographic Expression in Anthropological Thinking, Martin Holbraad / 
7. Breaking Out of the Modern Circle: On Conceptual Issues of Critical Anthropology, Pierre Charbonnier / 
Part III: Life and Agency Outside Nature 
8. Thinking with Thinking Forests, Eduardo Kohn / 
9. Nature from the Greeks: Empirical Philology and the Ontological Turn in Historical Anthropology, Arnaud Mace / 
10. Moving to Remain the Same: Towards an Anthropological Theory of Nomadism, Morten Axel Pedersen / 
Part IV: Cosmopolitics and Alterity 
11. Metaphysics as Mythophysics. Or, Why I Have Always Been An Anthropologist, Eduardo Viveiros de Castro / 
12. Metamorphosis of Consciousness: Concept, System, and Anthropology in the Thought of American Channels, Peter Skafish / 
13. Ordering What Is: The Political Implications of Ontological Knowledge, Baptiste Gille / 14. A Dialog About a New Meaning of Symmetric Anthropology, Bruno Latour / Notes on Contributors / Bibliography / Index

Boa leitura!

sábado, 23 de julho de 2016

Economia e Cultura

Está disponível para leitura a nova edição da Revista Horizontes Antropológicos (ano 22, n45, 2016) - Economia e Cultura.


O conjunto de artigos desta coletânea é bastante diversificado e não se concentra em apenas um eixo de reflexão acerca das complexas relações entre Cultura e Economia, aliás, o mais apropriado, me parece, seria usar economia no plural, já que não se trata de analisar uma visão hegemônica das práticas econômicas, mas o desvelar de Economias possíveis e muito distintas, como no artigo de Elizabeth Pissolato sobre criatividade na economia Mbya (Guarani). Destaque também para o artigo de Gustavo Onto, quem propõe uma interessante discussão sobre a noção de mercado e sua concepção performativa como arranjo sociotécnico.

Os artigos, grosso modo, se voltam para uma concepção que aproxima economia do mundo material e, portanto, das práticas de consumo, não promovendo a reflexão radical acerca dos modos como os imperativos econômicos conformam noções centrais tais como a de indivíduo e propriedade. 

Para acessar a Revista, clique aqui

Boa leitura!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ethnographies of Economy/ics


Na abertura da edição do Dossiê “Ethnographies of economy/ics” da revista VIBRANT, os autores escrevem: Nas línguas latinas as palavras economy e economics aparecem como sendo as mesmas: por exemplo, em português, economia. A composição das duas - Economy/ics - reflete uma abordagem que toma as práticas econômicas, institucionais e sociais (economy) e as idéias teóricas acerca dessas práticas (economics) como esferas inter-relacionadas e mutuamente constitutivas, ao invés de pensadas como entidades epistemológicas ou ontológicas apartadas. 






Essa é a proposta dos artigos presentes nesta edição da revista Vibrant, pesquisas antropológicas produzidas a partir do entrelaçamento destes dois termos. Uma contribuição para os interessados em pensar sobre fenômenos econômicos, mas também sobre a composição teórica de idéias econômicas tomadas como o modelo vigente de nossa organização social. 

Boa Leitura!


Dossier “Ethnographies of economy/ics”

Editors: Eugênia Motta, Federico Neiburg, Fernando Rabossi and Lúcia Müller
  • Negotiating debts and gifts
    Financialization policies and the economic experiences of low-income social groups in Brazil
    Lúcia Müller


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

EIAV 2014 - Encontro Internacional de Antropologia Visual

Esse ano tem a primeira edição do EIAV, Encontro Internacional de Antropologia Visual. O Encontro acontecerá na Universidade de São Paulo de 03 a 08 de Novembro de 2014, veja a programação completa no site do evento e inscreva-se!



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Número especial: Social theory after Strathern

O número especial da Theory, Culture & Society explora os rendimentos de um engajamento crítico com o trabalho de Marilyn Strathern para as ciências sociais.  O número discute, a partir de diferentes contribuições (artigos, entrevista, ensaios), como as estratégias strathernianas são usadas para refletir sobre ou estender conceitos que emergem do trabalho etnográfico. Diferenciação, analogias, surpresa, bifurcação e eco são estratégias que Strathern tem usado para, como ela mesma sugere, adubar suas teorias e fazer florescer seu jardim.





domingo, 28 de julho de 2013

Consumo e suas consequências

Daniel Miller continua a oferecer suas contribuições aos estudos do consumo e da cultura material em seu novo livro: Consumption and its Consequences.

O volume aparece como uma espécie de continuação (ou segunda parte) de Stuff, contudo, sua intenção é oferecer uma obra acessível, sobretudo ao leitor não-antropólogo. 

O livro sugere respostas diferentes para algumas importantes questões da atualidade. O que é uma sociedade de consumo? Como e por que fazer compras? Como devemos entender a economia? Nosso desejo aparentemente insaciável por bens destruirá o planeta? Podemos conciliar restrições no consumo com objetivos como a redução da pobreza e da desigualdade social?
Miller responde a estas questões de modo viável, sugerindo um debate acessível e elaborado, principalmente, a partir de sua própria pesquisa etnográfica. Dada a evidência de que o consumo é agora central para a maneira como criamos e mantemos nossos valores e relacionamentos, as conclusões de Miller diferem drasticamente de visões convencionais e aceitas para pensar o consumo. O livro, de algum modo, reúne e retoma as pesquisas etnográficas anteriores deste autor, fornecendo uma análise acerca do consumo contemporâneo a partir de suas próprias respostas etnográficas a este fenômeno.

Dê uma olhada no conteúdo do livro AQUI e saiba mais na entrevista abaixo.

sábado, 22 de junho de 2013

Uma reflexão sobre o fascismo difuso nas manifestações

Sei que todos vocês têm acompanhado a profusão de acontecimentos que envolvem as recentes manifestações no país e, como consequência, o sem-número de opiniões que delas derivam. Ainda na efervescência do momento gostaria de compartilhar o relato de um amigo antropólogo. Este relato exprime bem a sensação (e o temor) que tem atingido boa parte de meus colegas e da qual, seguramente, compartilho.

Boas Reflexões!




O ODOR DA FUMAÇA                                                      
                                               Danilo Paiva Ramos                                                                    
         
O fogo queima as bandeiras vermelhas nas ruas. A fumaça cheira a gás lacrimogênio. A Avenida Paulista transforma-se numa imensa câmara de gás. Nas últimas semanas, os cassetetes e balas de borracha, manejados há anos por Alckimins contra professores, estudantes, indígenas, torcedores, gays, trabalhadores sem-terra, sem-teto, sindicalistas, transformaram-se em paus e facas, armas empunhadas por “civis de coturno”, “neo-camisas pretas” que investem contra qualquer pessoa que levante uma bandeira ou expresse sua militância política organizada de esquerda. Essa tropa de choque inflama o grito O povo acordou da multidão. Reforça o coro do hino nacional e saúda todos aqueles que estiverem enrolados em bandeiras do Brasil ou com a cara pintada de verde e amarelo. Não é um mero acaso que atos contra Alckmin/ Haddad e sua tarifa exorbitante, sua violenta repressão às manifestações populares tenham se tornado passeatas contra uma corrupção genérica. Uma passeata daqueles que disseram ter dormido por décadas. Em seu sono profundo, talvez nunca tenham ouvido sobre os milhares que estão a lutar e a sofrer espancamentos, torturas, humilhações, assassinatos, e que buscam o fim da PM, do coronelismo, do totalitarismo, do racismo, da discriminação, da super-exploração, que geram, dentre outros problemas, a corrupção e a impunidade.     
            “Brasil, Ame-o ou deixe-o” era a frase escrita no cartaz de uma jovem numa das passeatas. Na década de 1970, essa mesma frase do governo de Emílio Médici (1969/1974) era repetida por crianças e jovens que reproduziam o slogan da propaganda da ditadura militar. “Anti-partidário”, como muitos que estavam nas ruas essa semana, o regime totalitário exilou, assassinou, censurou, torturou, violentou milhares de pessoas que combatiam o fascismo estatal, organizando-se em partidos clandestinos, movimentos sociais, culturais e guerrilhas. Outras frases que li em cartazes: “Meu partido é o Brasil” e “Nenhum partido me representa” não deixam de fazer ressoar as palavras de ordem militares, expressando tanto a insatisfação com relação a um sistema político-partidário corrompido e que beneficia apenas as elites econômicas, quanto o desejo do neo-liberalismo (Globo, Folha, PSDB, PT), do coronelismo agro-exportador (PMDB, DEM, PPS, Bancada Ruralista, O Estado de SP) e do conservadorismo religioso (PR, PMDB, PT, PSDB, Bancada Evangélica, Record) de oprimir as minorias e silenciar quaisquer partidos, organizações ou movimentos de esquerda que as representem.     
         Em 2011, fui espancado pela Polícia Militar de Alckmin (PSDB) por usar uma camisa do Corinthians na Av. Paulista. Há duas semanas, quando vi dezenas de batalhões da PM e do Choque reprimindo os jovens manifestantes do Movimento Passe Livre na Av. Paulista, arremessei as garrafas que tinha à mão contra os cinturões armados. Comecei a caminhar nas manifestações como militante do PSOL e como antropólogo, como alguém que luta contra Belo Monte, contra o assassinato de lideranças indígenas, contra o Latifúndio, contra o Agro-Negócio, contra a péssima assistência à saúde indígena que mata centenas de crianças todos os anos. Fomos expulsos das ruas com paus e facas, com bombas e cassetetes, com câmeras e microfones. Quando o apartidarismo assume os contornos de um anti-partidarismo de direita é preciso estar mais acordado do que nunca, noite e dia, tomar partido e desenrolar todas as bandeiras possíveis contra o fascismo. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

LÁ DO LESTE - Uma etnografia Audiovisual Compartilhada


Livro, filme, artigo, fotografia, debate e participação heterogênea compõem essa etnografia original e de múltiplos desdobramentos. Aconteceu ontem o lançamento do livro "LÁ DO LESTE - Uma etnografia Audiovisual Compartilhada" fruto de um projeto etnográfico ousado e que torna possível o diálogo entre poder público, ONGs, comunidades e universidade.
Vale a pena conferir os conteúdos do projeto que as autoras Carolina Caffé e Rose Satiko compartilham através de um site interativo e autêntico, onde é possível assistir aos filmes, ler o livro, acompanhar os debates e acessar as produções extras!


Boas navegações!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Consumo de Tecnologias Domésticas (e domesticadas!)




Consuming Technologies: Media and Information in Domestic Spaces (1992)
Eric Hirsch (Editor), Roger Silverstone (Editor)

Entre as leituras deste mês, dei uma olhada nesta coletânea de artigos que conta com etnografias sobre o consumo de tecnologias em espaços domésticos (celulares, aparelhos de televisão, computadores etc.). A Abertura do livro "Forewords: The Mirror of Technology" foi escrita por Marilyn Strathern e traz algumas reflexões interessantes sobre o consumo de tecnologias, além de um panorama crítico sobre os artigos que compõe o volume.

The local "culture" turns these global itens into manifestation of the "local" culture!
Começa a autora. A experiência individual, neste caso, parece funcionar como um tipo similar de conversão. cada pessoa individual é, nesse sentido, a cultura de um só. Assim, a casa contextualiza o "comportamento" das tecnologias enquanto objetos que também habitam os lares, ocupam seu próprio espaço dentro de um espaço doméstico, torna-se parte da dinâmica da vida cotidiana e das relações familiares.
Essas tecnologias podem se tornar fundamentais para a dinâmica dos relacionamentos familiares, mas não são elas mesmas a razão destes relacionamentos, já que estes objetos lidam com aquilo que já está lá, com o que já deu forma à vida das pessoas. Eles são "domesticados" para finalidades tanto culturais, quanto sociais.

Um dos temas recorrentes do livro é que as tecnologias são descritas como aquelas que recebem significados sociais. Assim, longe de aumentar o isolamento das pessoas umas com as outras, as tecnologias da comunicação podem reforçar a sociabilidade. Elas não apenas se encaixam nas condutas das relações sociais, mas parecem dar às pessoas a sensação de que existe mais interação (sociabilidade) do que, de fato, há. Juntos, os artigos deste volume questionam o determinismo de que as pessoas sejam passivos recipientes de produtos. Os autores mostram como esses itens são domesticados na sociabilidade da família e moldados pelas complexidades das interações familiares.

Você pode dar uma olhada na lista dos artigos que compõe o volume aqui no GOOGLE BOOKS

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Antropologia dos Modernos: novo livro de Bruno Latour

Acaba de sair do forno o novo livro de Bruno Latour (Setembro de 2012) "Enquête sur les modes d’existence. Une anthropologie des Modernes" 

Em seu novo livro, um inquérito sobre os modos de existência da antropologia moderna, Bruno Latour reúne e faz argumentos coerentes anteriormente dispersos em vários de seus livros, artigos e estudos de campo. Resultado de uma pesquisa de 25 anos, tem uma formulação positiva de uma pergunta negativa em sua publicação "Jamais fomos modernos" (Nous n’avons jamais été modernes). Se "nós" nunca fomos modernos, o que "nós" fomos? Que valores herdamos? Para responder esta pergunta, Latour tem desenvolvido um protocolo de pesquisa que é muito diferente da teoria do ator-rede (ANT) na qual seu nome é agora associado. A questão já não é mais definida apenas pelas "associações" e pela ação de seguir as redes com o objetivo de redefinir conceitos como de "sociedade" e "social", mas seguem diferentes tipos de conectores que dão a estas redes o seu tom específico. 


Estes modos de extensão, ou modos de existência, nos permitem perceber muitas diferenças entre o direito, a ciência, a política, etc. Esta tentativa sistemática de construir uma nova antropologia filosófica oferece uma perspectiva radicalmente diferente sobre o que era o "moderno" e, portanto, uma base capaz de tornar possível uma antropologia comparativa com outros grupos, num momento em que todos devemos enfrentar a crise ecológica. O livro resume as conquistas deste programa de pesquisa.  




quarta-feira, 26 de setembro de 2012

25 anos de Writing Culture

Writing Culture comemora 25 anos. Sem bolo, nem vela, nosso presente é uma edição especial da Cultural Anthropology com artigos interessantes e pertinentes para o atual momento de nossa disciplina. Ultimamente tenho lido muitos artigos que discutem a "crise da representação" e em particular a importância - mas também a severa crítica - acerca da reviravolta que ocorreu na antropologia a partir da publicação de Writing Culture


Na Introdução, escrita pelo Editor Orin Starn, lemos:
"Nós apresentamos esta edição especial na Cultural Anthropology para marcar o 25º aniversário da publicação de Writing Culture. Pra começar, pedimos a James Clifford e George Marcus que dessem sua opinião sobre a ocasião. Clifford, sempre um historiador brilhante, (e, às vezes, esquecemos que ele é um historiador e não um antropólogo por formação), nos leva de volta no tempo. Por sua vez, George Marcus, astuto e por vezes de tendência visionária lança um olhar para a frente. Clifford escreve aqui num registo mais incerto, pessoal, e, por vezes, melancólico em contraste com o mais confiante pedaço de Marcus. Os dois editores de Writing Culture trouxeram sensibilidades muito diferentes, porém complementares ao projeto. Seus próprios ângulos distintos de abordagem permanecem em exposição nos dois ensaios 25 anos depois.

Nessa edição especial, também foram convidados outros seis antropólogos para contribuir neste aniversário de Writing Culture. Cada colaborador tem o livro como ponto de partida para sondar questões de interesse em seus próprios pensamentos sobre antropologia e sobre o mundo. Os artigos, em conjunto, sugerem que a antropologia continua a lutar dentro e contra muitos dos mesmos desejos, tensões e possibilidades que o Writing Culture havia aberto para exame um quarto de século atrás, embora de maneiras, muitas vezes, inesperadas."


1984 SAR Writing Culture Seminar

Faça download dos artigos aqui e ótima leitura!

**TABLE OF CONTENTS**

Writing Culture at 25: Special Editor's Introduction
ORIN STARN
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 411-416.

Free Article Access
Feeling Historical
JAMES CLIFFORD
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 417-426.

Free Article Access and Supplemental Material
The Legacies of Writing Culture and the Near Future of the Ethnographic Form: A Sketch
GEORGE MARCUS
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 427-445.

Free Article Access and Supplemental Material
Ethnography in Late Industrialism
KIM FORTUN
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 446-464.

Free Article Access and Supplemental Material
Kinky Empiricism
DANILYN RUTHERFORD
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 465-479.

Free Article Access and Supplemental Material
Ethnography Is, Ethnography Ain't
JOHN L. JACKSON JR.
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 480-497.

Free Article Access and Supplemental Material
Excelente Zona Social
MICHAEL T. TAUSSIG
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 498-517.

Free Article Access and Supplemental Material
Precarity's Forms
KATHLEEN STEWART
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 518-525.

Free Article Access and Supplemental Material
Twenty-Five Years Is a Long Time
HUGH RAFFLES
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 526-534.

Free Article Access and Supplemental Material
Anthropology and Fiction: An Interview with Amitav Ghosh
DAMIEN STANKIEWICZ
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 535-541.

Free Article Access and Supplemental Material
Playlists: Books to Teach With
Cultural Anthropology August 2012, Vol. 27, No. 3: 542-546.

Free Article Access

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Entrevista com Bruno Latour

Mais uma vez no Brasil, Latour dá entrevista para o Valor Econômico:

Valor: O senhor acredita que o Brasil ocupa um lugar especial no cenário mundial neste momento em que a Europa vive uma crise?
Bruno Latour: O Brasil faz parte de minha vida desde a minha infância, pois tive três irmãs que moraram no país, por razões diferentes. Acredito que a questão ecológica do século XXI vai ser decidida aqui. Há coisas que podem ser melhoradas na Europa, do ponto de vista ambiental, mas o verdadeiro cenário desse jogo será o Brasil, porque já é muito tarde para a Ásia e a África. A questão é saber se os intelectuais e os políticos brasileiros poderão ir além dos fundamentos da modernidade. Mas a grande questão ecológica se desenrolará aqui.
Valor: Sua teoria ator-rede se refere a seres humanos e não-humanos. É uma crítica ao humanismo? O que o legado humanista nos proporcionou de tão criticável?
Latour: O humanismo é uma forma limitada de pensar o grupo dos humanos, que vejo como dependentes de muitos outros seres que não são humanos. Uma definição que isole o humano dos seres que o fabricam - tanto as divindades religiosas quanto as coisas com as quais os humanos vivem, como as árvores, mas também o alumínio para fazer estes talheres - é uma visão estreia. A perspectiva humanista foi legítima em uma determinada época, se falarmos do humanismo da metade do século XIX até a metade do século XX, antes que os ecologistas tenham chamado nossa atenção para o problema ambiental. Mas hoje não há mais nenhum sentido falar em humanismo. Este tipo de humanismo não tem os elementos necessários para absorver as grandes questões políticas atuais. Não se pode, por exemplo, fazer uma teoria consciente do problema do clima com o pensamento moral de Kant. Precisamos pensar na composição na qual seres humanos e não-humanos se relacionam. O humanismo é uma versão ultrapassada dos problemas políticos que nos dizem respeito. Hoje, trata-se de ser inteiramente humanista, ou seja, incluir todos os seres que são necessários para a existência humana.
Valor: Um dos postulados da teoria ator-rede é que, quando uma pessoa age, mais alguém está agindo junto. O senhor poderia explicar como isso funciona?
Latour: Os humanos são envolvidos por muitos outros seres, e a ideia de que uma pessoa age autonomamente, com seus próprios objetivos, não funciona nem na economia, nem na religião, nem na psicologia nem em nenhuma outra situação. Portanto, a pergunta que a teoria ator-rede coloca é: quais são os outros seres ativos no momento em que alguém age? A antropologia e a sociologia que tento desenvolver se ocupa da pesquisa desses seres. Eu posso colocar a questão de um modo inverso: como, apesar das evidências de todos os numerosos seres que participam de uma ação, continua-se a pensar como se o único ator fosse o humano dotado de uma psicologia, ciente de si mesmo, calculador, autônomo, responsável? A antropologia no Brasil é particularmente capaz de entender que não há esse "eu", esse sujeito individual e autônomo que age no mundo, o que é uma visão muito estreita. Tenho muito contato com outros antropólogos brasileiros, como o Eduardo Viveiros de Castro (UFRJ).
Valor: O senhor veio ao Brasil para participar de um simpósio sobre novas tecnologias de comunicação. Qual é a grande afinidade entre a sua teoria ator-rede e as teorias da comunicação?
Latour: Elas são próximas porque a teoria ator-rede é essencialmente uma teoria da multiplicidade de mediações, e esses pesquisadores estão interessados em discutir o domínio da mídia e das mediações. Aqueles que se interessam por mediação - de modo positivo, e não negativamente - encontram conceitos e métodos para trabalhar com a teoria ator-rede.
Valor: Por que os jornalistas estão sempre mencionados entre os integrantes importantes da teoria ator-rede?
Latour: A formatação de informações desempenha um papel muito importante no espaço público, no qual se situa o espaço político. Não conheço muitos estudos sobre jornalismo que sejam feitos a partir da teoria ator-rede, porque essas pesquisas geralmente são feitas do ponto de vista crítico, e a teoria ator-rede não é uma crítica. Muito frequentemente, os jornalistas são simplesmente acusados de deturpar um ideal de verdade que, se não houvesse a mediação, chegaria ao público a partir de uma transmissão transparente e direta. Cientistas, políticos e economistas gostam de dizer que, se não houvesse os jornalistas, a informação seria mais transparente, mais direta, menos comprometida.
Valor: A teoria ator-rede se transformou em muitas outras coisas - cada um dos pesquisadores do grupo original seguiu por um lado, e houve uma diáspora. O senhor ainda se reconhece como um teórico da ator-rede?
Latour: O grupo original nunca foi muito unido, mas se reuniu em um momento em que a sociologia percebeu que havia negligenciado a técnica, a ciência, e os seres não-humanos. Foi uma tomada de consciência das ciências sociais de que o século XX nos legou uma série de questões - como a da dominação e a da exploração -, mas sempre com uma visão sociocentrada. A teoria ator-rede vem a ser a evidência de que é preciso se interessar pela vida secreta dos objetos.
Valor: Refaço ao senhor uma pergunta que está no livro "A Esperança de Pandora" (Edusc): de onde provém a oposição entre o campo da razão e o campo da força?
Latour: Fiz uma genealogia dessa oposição, que remonta à falsa disputa entre os sofistas e os filósofos e organizou o debate nos países ocidentais. Pretendi suspender essa separação e colocar a questão sobre qual é a força dos dispositivos racionais. Foi assim que comecei minha antropologia da ciência. E há uma segunda pergunta: quais são as razões da relação de força política, religiosa, econômica? A distinção entre força e razão faz parte de um conjunto de antigas dicotomias que não são mais capazes de nos orientar quando falamos da questão científica. Nessa dicotomia, supõe-se que a razão vai unificar a discussão. Mas, se a razão já teve esse poder, atualmente não tem mais, e precisamos encontrar outras ferramentas intelectuais para nos orientar nessa disputa. É o que eu chamo de cartografia da controvérsia. Essa é hoje uma grande questão para a democracia.
Valor: Afirmar que a ciência é social é uma forma de relativizar os resultados científicos?
Latour: Esse é um mal-entendido sobre o significado da palavra social. Evidentemente, dizer que os fatos são sociais não equivale a dizer que esse garfo é uma fabricação social - isso não faria sentido. Eu digo que esse garfo é resultado de um processo industrial que inclui uma legislação, empresas, indústrias - o que é totalmente diferente. A ciência faz parte de um coletivo - estou propositalmente evitando usar a palavra social - do mundo. Há quem acredite que a ciência, particularmente as ciências naturais, é absoluta. Mas esses são os religiosos da ciência, não os participantes da ciência. Não conheço um ator participante da ciência que não seja um relativista ou, melhor dizendo, um relacionista, porque ele sabe que conhecer é estabelecer relações dentro de um quadro de referências. A crítica aos relativistas, feita pelos absolutistas, é frequente, mas essa não é uma discussão produtiva. A discussão que me interessa é: como estabelecer as relações entre os quadros de referência, as culturas, os modos de existência, as formas de vida? Não conheço quem que, desse ponto de vista, critique o relativismo.
Valor: Pode-se resumir seu livro "Jamais Fomos Modernos" como uma crítica à modernidade. O senhor mantém as mesmas críticas em relação aos pós-modernos?
Latour: Sim. Os pós-modernos tiveram a sensibilidade de perceber que havia qualquer coisa de complicada na modernidade, mas é o mesmo movimento. Simplesmente há um retorno a alguns dos problemas que a modernidade não havia tratado, mas não há um retorno às raízes da modernidade.

Carla Rodrigues, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), é doutora em filosofia e pesquisadora do CNPq

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A vida secreta dos objetos


Ah, eu perdi! Esse simpósio internacional e transdisciplinar é mais uma das evidência de que a discussão sobre o mundos dos objetos e sobre a capacidade agenciadora das coisas ganha cada vez mais espaço. Interessantíssimos os temas e as apresentações, com a abertura realizada por Bruno Latour.
Também perdeu? 
Calma, dá pra acompanhar tudinho no site do evento, inclusive assistir as apresentações!

Aproveite: http://avidasecretadosobjetos.wordpress.com/2012/09/03/assista-as-conferencias/

Bom simpósio!