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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tim Ingold no Brasil e algumas LINHAS

Depois de um período distante (5 disciplinas + trabalho de campo + congresso + muitas atividades), espero atualizar com mais frequencia o blog nesse semestre!

Escrevo, dessa vez, para lembrar da visita de Tim Ingold ao Brasil. Sua presença acontecerá entre os dias 03 e 06/10, na UFMG, Campus Pampulha, com a seguinte programação:

04/10: 14 hs Conferência: Making growing learning: Against transmission Auditório Neidson Rodrigues – FAE

05/10: 17:30 hs Conferência: Making growing learning: For enskilment Auditório da Escola de Música

06/10: 09 hs Grande Conferência Designing Environments for Life Auditório Sônia Viegas – FAFICH

06/10: 19 hs Exibição do filme “La chasse au lion" de Jean Rouch (1964) Comentário por Tim Ingold. Sala Humberto Mauro (Palácio das Artes).


Aproveito para escrever algumas linhas sobre seu novo livro LINES.

A obra busca demonstrar como as artes visuais, em particular a dança, a música e a cultura material de modo geral, podem ser pensadas através de linhas, mais detidamente, através da relação entre as linhas e as superfícies onde são inscritas. Logo, a questão desdobra-se para o questionamento acerca da dicotomia entre tecnologia e arte, o que rapidamente nos encaminha para outras separações importantes - e que particularmente me interessam - como, por exemplo, entre dádiva e mercadoria e entre produção capitalista vrs. saberes tradicionais. Ingold nos dirá "toda coisa é um parlamento de linhas" e esse parlamento nos permite observar a relação entre pessoas e coisas por meio das diferentes e imbricadas linhas a partir das quais ambas são feitas.
Linhas são também raízes, rizomas, fios, teias que conectam entidades e trajetos, vidas e ambiente. Para Ingold a antropologia das linhas deve ser entedidas como um caminho aberto, labiríntico, capaz de aproximar xamã e cirurgião, tramas e escritas, possibilitando o entendimento da vida sem o confinamento dos pontos, mas como um processo que se dá ao longo de infinitas linhas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Trazendo as coisas de volta à vida

Imagem: Paul Klee

Nessa semana (buscando aliviar a tensão da proximidade de minha defesa de mestrado) li um artigo muito recente do Tim Ingold (2010), sobre a vida e a materialidade: "bringing things to life: creative entanglements in a world of materials". Fiquei absolutamente impressionada pela discussão acertiva e teórica desse autor sobre o lugar das coisas, tanto no mundo como na teoria antropológica.

Ingold começa por abordar o pintor Paul Klee (a imagem de uma de suas obras ilustra esse post), quem afirma que " as formas são o fim, a morte, a formação é movimento, ação, a vida". Para ele, "a arte não reproduz o visível, mas torna visível". E assim começa uma discussão interessantíssima sobre a materialidade (com farpas para Daniel Miller), sobre a agência (com farpas para Gell) e sobre as redes (pois é, sobrou até para o Latour).
O propósito de seu artigo, segundo afirma Ingold, é trazer de volta à vida um mundo efetivamente assassinado no pronunciamento de alguns teóricos, sua argumentação passa por 5 componentes fundamentais:
Objetos e coisas
Vida e agência
Material e materialidade
Improvisação e abdução
Network e Meshwork
O autor insiste que o mundo é habitado por coisas e não por objetos, fazendo uma distinção muito clara e convincente acerca dessa diferenciação. Busca estabelecer, assim, aquilo que entende por VIDA, de modo que a ênfase na agência material é consequência de uma redução das coisas em objetos.
As coisas são vivas, reforça ingold, e a vida é um ambiente inerente à circulação de materiais que continuamente dão forma às coisas, assim como, à sua dissolução.

Deixo aqui a dica deste belo artigo e, claro, o link para seu acesso:

Boa leitura!