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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Coisas Com Vida

 Em uma galáxia não muito distante, nasce um novo projeto para pensar nas coisas e em seus efeitos. Aceite o convite, um chamado para olhar o mundo material a nossa volta!

Acesse: Projeto Coisas Com Vida!



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A vida secreta dos objetos


Ah, eu perdi! Esse simpósio internacional e transdisciplinar é mais uma das evidência de que a discussão sobre o mundos dos objetos e sobre a capacidade agenciadora das coisas ganha cada vez mais espaço. Interessantíssimos os temas e as apresentações, com a abertura realizada por Bruno Latour.
Também perdeu? 
Calma, dá pra acompanhar tudinho no site do evento, inclusive assistir as apresentações!

Aproveite: http://avidasecretadosobjetos.wordpress.com/2012/09/03/assista-as-conferencias/

Bom simpósio!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Trazendo as coisas de volta à vida

Imagem: Paul Klee

Nessa semana (buscando aliviar a tensão da proximidade de minha defesa de mestrado) li um artigo muito recente do Tim Ingold (2010), sobre a vida e a materialidade: "bringing things to life: creative entanglements in a world of materials". Fiquei absolutamente impressionada pela discussão acertiva e teórica desse autor sobre o lugar das coisas, tanto no mundo como na teoria antropológica.

Ingold começa por abordar o pintor Paul Klee (a imagem de uma de suas obras ilustra esse post), quem afirma que " as formas são o fim, a morte, a formação é movimento, ação, a vida". Para ele, "a arte não reproduz o visível, mas torna visível". E assim começa uma discussão interessantíssima sobre a materialidade (com farpas para Daniel Miller), sobre a agência (com farpas para Gell) e sobre as redes (pois é, sobrou até para o Latour).
O propósito de seu artigo, segundo afirma Ingold, é trazer de volta à vida um mundo efetivamente assassinado no pronunciamento de alguns teóricos, sua argumentação passa por 5 componentes fundamentais:
Objetos e coisas
Vida e agência
Material e materialidade
Improvisação e abdução
Network e Meshwork
O autor insiste que o mundo é habitado por coisas e não por objetos, fazendo uma distinção muito clara e convincente acerca dessa diferenciação. Busca estabelecer, assim, aquilo que entende por VIDA, de modo que a ênfase na agência material é consequência de uma redução das coisas em objetos.
As coisas são vivas, reforça ingold, e a vida é um ambiente inerente à circulação de materiais que continuamente dão forma às coisas, assim como, à sua dissolução.

Deixo aqui a dica deste belo artigo e, claro, o link para seu acesso:

Boa leitura!

domingo, 28 de novembro de 2010

Nova edição da REVISTA PROA - Antropologia e Arte




A nova edição da revista PROA acabou de sair do forno e está belíssima, não apenas pelo visual com lindos e delicados bordados mas, sobretudo, pelas discussões em torno do estatuto da arte e do artesanato, das resenhas, artigos e uma conversa super interessante com Strathern. Destaque para a exposição da "galeria" com o trabalho super inspirador da artista Carmen Novo (com texto de curadoria meu).
Para aqueles que, assim como eu, adoram as leituras e discussões em torno da "vida social de objetos", recomendo os artigos de Bruno Aroni, Ana Paula Simioni e Diego Dias, aliás, a edição inteira está imperdível, corre lá: REVISTA PROA 2° EDIÇÃO.

Boa leitura!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A agência de casas e objetos de decoração em uma pequena etnografia virtual

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A reflexão que proponho aqui parte de dupla origem: a primeira diz respeito a uma pequenina etnografia virtual que realizei em um site de relacionamento[1] e a segunda foi a leitura da obra Home Possessions de Daniel Miller, publicada no ano de 2001.

Se a principal verdade antropológica do trabalho realizado acerca da cultura material de casas (ou lares) na década de 60 e 70 era baseada em análises estruturais e simbólicas - como é o caso do belo ensaio de Bourdieu sobre a casa kabyle -, nas décadas de 80 e 90 surgem novas possibilidades de estudos, especialmente aqueles vindos de contextos interdisciplinares, os quais enfatizam a casa enquanto um lugar de exposição de práticas e hábitos de consumo, mais especificamente com foco na ênfase doméstica dos lares. A casa torna-se o lócus para a atividade do “faça-você-mesmo”, onde pessoas transformam o interior de suas casas em um modo de auto-expressão.

A casa passou a ser vista, a partir dos anos 80, menos como um local reservado e íntimo e mais como uma forma quase inconsciente de construção e reprodução de um certo habitus[2]. A partir disso, os estudos que primavam por compreender as novas formas de agência de mulheres em seus lares – especialmente recorrendo a um viés de gênero - demonstraram que a casa tornou-se um modo fundamental de auto-expressão, um meio através do qual as pessoas constroem a si próprias e expõem suas ideologias.

Com o progressivo interesse da antropologia pelo que havia “atrás de portas fechadas”, o modelo da semiótica da casa foi utilizado para colocar em relevo as contradições e as complexidades dos substantivos resultados de estudos inspirados nessa abordagem, demonstrando que havia inúmeros problemas de contradição e dissonância entre as pessoas e suas casas.

Em adição, é necessário considerar como as pessoas enxergam suas vidas enquanto formada a partir da influência que a casa exerce, e também, em seu papel enquanto reprodutora de um legado histórico e pessoal. Se a casa é entendida como algo que reflete, em larga medida, nossas trajetórias históricas e biográficas, então, qualquer ocupante da casa deve ser entendido como um agente modificador dessa história, inclusive, a própria casa pode ser entendida enquanto um agente de mudança.

Há momentos em que objetivamos nossa sensação de que as coisas dispostas na casa possuem, elas próprias, capacidade de agência. Essa ação de projeção antropomorfiza nosso senso de que a casa pode ser um lugar que desenvolve mais “personalidade” que seus próprios ocupantes.

A partir dessa reflexão gostaria de sugerir o olhar para imagens retiradas de dois perfis de um site de relacionamento (www.flickr.com). De modo paradoxal, as imagens das casas retratadas dialogam entre si, denotando a força com que os objetos, neste caso, em sua maioria produzidos pelas próprias mulheres, habitam – e não apenas decoram – as casas fotografadas.

A intensidade com que a casa e seus objetos reforçam a identidade de suas ocupantes, nos auxiliam a pensar, por meio destas imagens, de que maneira a disposição e os elementos contidos em nossa casa expressam, de maneira intensa, as características que nos constituem socialmente.

No primeiro caso, as imagens que convido a conhecer são da casa de Jasna Janekovic (acesse), alemã de origem croata, cujas fotografias já ilustraram diferentes sites de decoração e revistas do gênero. No segundo, sugiro imagens da portuguesa Constança, mais conhecida como Concha (acesse ou http://saidosdaconcha.blogspot.com/).

Quando fazemos a disposição de elementos, objetos, artefatos ou móveis em uma casa, temos o dever constante de buscar manter os padrões decorativos ou a disposição dos objetos em um esquema pré-estabelecidos pela “ordem da casa”. Frequentemente, desenvolvemos uma espécie de negociação compromissada entre aquilo que é expresso pela casa e aquilo que nós queremos expressar por intermédio dela. Assim como nós ocupamos a casa, a casa nos ocupa, e é através desse processo que exercemos domínio um sobre o outro.

A casa, funcionando como um museu de quem a habita, ilustra a história através da cultura material, ela permite refletir o seu próprio legado enquanto um repositório de objetificações materiais, pessoais e familiares.

A cultura material da casa tem servido enquanto uma possibilidade de compreensão de nossa própria cultura e usada como um modo de transcender a vida através do legado de seus objetos.



[1] O site que me refiro é www.flickr.com

[2] Refiro-me a noção de habitus formulada por Bourdieu, (1989): “o habitus é um conhecimento adquirido e também um haver, um capital, o habitus, a hexis, indica a disposição incorporada, quase postural de um agente em ação”.