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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

EIAV 2014 - Encontro Internacional de Antropologia Visual

Esse ano tem a primeira edição do EIAV, Encontro Internacional de Antropologia Visual. O Encontro acontecerá na Universidade de São Paulo de 03 a 08 de Novembro de 2014, veja a programação completa no site do evento e inscreva-se!



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Número especial: Social theory after Strathern

O número especial da Theory, Culture & Society explora os rendimentos de um engajamento crítico com o trabalho de Marilyn Strathern para as ciências sociais.  O número discute, a partir de diferentes contribuições (artigos, entrevista, ensaios), como as estratégias strathernianas são usadas para refletir sobre ou estender conceitos que emergem do trabalho etnográfico. Diferenciação, analogias, surpresa, bifurcação e eco são estratégias que Strathern tem usado para, como ela mesma sugere, adubar suas teorias e fazer florescer seu jardim.





domingo, 28 de julho de 2013

Consumo e suas consequências

Daniel Miller continua a oferecer suas contribuições aos estudos do consumo e da cultura material em seu novo livro: Consumption and its Consequences.

O volume aparece como uma espécie de continuação (ou segunda parte) de Stuff, contudo, sua intenção é oferecer uma obra acessível, sobretudo ao leitor não-antropólogo. 

O livro sugere respostas diferentes para algumas importantes questões da atualidade. O que é uma sociedade de consumo? Como e por que fazer compras? Como devemos entender a economia? Nosso desejo aparentemente insaciável por bens destruirá o planeta? Podemos conciliar restrições no consumo com objetivos como a redução da pobreza e da desigualdade social?
Miller responde a estas questões de modo viável, sugerindo um debate acessível e elaborado, principalmente, a partir de sua própria pesquisa etnográfica. Dada a evidência de que o consumo é agora central para a maneira como criamos e mantemos nossos valores e relacionamentos, as conclusões de Miller diferem drasticamente de visões convencionais e aceitas para pensar o consumo. O livro, de algum modo, reúne e retoma as pesquisas etnográficas anteriores deste autor, fornecendo uma análise acerca do consumo contemporâneo a partir de suas próprias respostas etnográficas a este fenômeno.

Dê uma olhada no conteúdo do livro AQUI e saiba mais na entrevista abaixo.

sábado, 22 de junho de 2013

Uma reflexão sobre o fascismo difuso nas manifestações

Sei que todos vocês têm acompanhado a profusão de acontecimentos que envolvem as recentes manifestações no país e, como consequência, o sem-número de opiniões que delas derivam. Ainda na efervescência do momento gostaria de compartilhar o relato de um amigo antropólogo. Este relato exprime bem a sensação (e o temor) que tem atingido boa parte de meus colegas e da qual, seguramente, compartilho.

Boas Reflexões!




O ODOR DA FUMAÇA                                                      
                                               Danilo Paiva Ramos                                                                    
         
O fogo queima as bandeiras vermelhas nas ruas. A fumaça cheira a gás lacrimogênio. A Avenida Paulista transforma-se numa imensa câmara de gás. Nas últimas semanas, os cassetetes e balas de borracha, manejados há anos por Alckimins contra professores, estudantes, indígenas, torcedores, gays, trabalhadores sem-terra, sem-teto, sindicalistas, transformaram-se em paus e facas, armas empunhadas por “civis de coturno”, “neo-camisas pretas” que investem contra qualquer pessoa que levante uma bandeira ou expresse sua militância política organizada de esquerda. Essa tropa de choque inflama o grito O povo acordou da multidão. Reforça o coro do hino nacional e saúda todos aqueles que estiverem enrolados em bandeiras do Brasil ou com a cara pintada de verde e amarelo. Não é um mero acaso que atos contra Alckmin/ Haddad e sua tarifa exorbitante, sua violenta repressão às manifestações populares tenham se tornado passeatas contra uma corrupção genérica. Uma passeata daqueles que disseram ter dormido por décadas. Em seu sono profundo, talvez nunca tenham ouvido sobre os milhares que estão a lutar e a sofrer espancamentos, torturas, humilhações, assassinatos, e que buscam o fim da PM, do coronelismo, do totalitarismo, do racismo, da discriminação, da super-exploração, que geram, dentre outros problemas, a corrupção e a impunidade.     
            “Brasil, Ame-o ou deixe-o” era a frase escrita no cartaz de uma jovem numa das passeatas. Na década de 1970, essa mesma frase do governo de Emílio Médici (1969/1974) era repetida por crianças e jovens que reproduziam o slogan da propaganda da ditadura militar. “Anti-partidário”, como muitos que estavam nas ruas essa semana, o regime totalitário exilou, assassinou, censurou, torturou, violentou milhares de pessoas que combatiam o fascismo estatal, organizando-se em partidos clandestinos, movimentos sociais, culturais e guerrilhas. Outras frases que li em cartazes: “Meu partido é o Brasil” e “Nenhum partido me representa” não deixam de fazer ressoar as palavras de ordem militares, expressando tanto a insatisfação com relação a um sistema político-partidário corrompido e que beneficia apenas as elites econômicas, quanto o desejo do neo-liberalismo (Globo, Folha, PSDB, PT), do coronelismo agro-exportador (PMDB, DEM, PPS, Bancada Ruralista, O Estado de SP) e do conservadorismo religioso (PR, PMDB, PT, PSDB, Bancada Evangélica, Record) de oprimir as minorias e silenciar quaisquer partidos, organizações ou movimentos de esquerda que as representem.     
         Em 2011, fui espancado pela Polícia Militar de Alckmin (PSDB) por usar uma camisa do Corinthians na Av. Paulista. Há duas semanas, quando vi dezenas de batalhões da PM e do Choque reprimindo os jovens manifestantes do Movimento Passe Livre na Av. Paulista, arremessei as garrafas que tinha à mão contra os cinturões armados. Comecei a caminhar nas manifestações como militante do PSOL e como antropólogo, como alguém que luta contra Belo Monte, contra o assassinato de lideranças indígenas, contra o Latifúndio, contra o Agro-Negócio, contra a péssima assistência à saúde indígena que mata centenas de crianças todos os anos. Fomos expulsos das ruas com paus e facas, com bombas e cassetetes, com câmeras e microfones. Quando o apartidarismo assume os contornos de um anti-partidarismo de direita é preciso estar mais acordado do que nunca, noite e dia, tomar partido e desenrolar todas as bandeiras possíveis contra o fascismo. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

LÁ DO LESTE - Uma etnografia Audiovisual Compartilhada


Livro, filme, artigo, fotografia, debate e participação heterogênea compõem essa etnografia original e de múltiplos desdobramentos. Aconteceu ontem o lançamento do livro "LÁ DO LESTE - Uma etnografia Audiovisual Compartilhada" fruto de um projeto etnográfico ousado e que torna possível o diálogo entre poder público, ONGs, comunidades e universidade.
Vale a pena conferir os conteúdos do projeto que as autoras Carolina Caffé e Rose Satiko compartilham através de um site interativo e autêntico, onde é possível assistir aos filmes, ler o livro, acompanhar os debates e acessar as produções extras!


Boas navegações!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Consumo de Tecnologias Domésticas (e domesticadas!)




Consuming Technologies: Media and Information in Domestic Spaces (1992)
Eric Hirsch (Editor), Roger Silverstone (Editor)

Entre as leituras deste mês, dei uma olhada nesta coletânea de artigos que conta com etnografias sobre o consumo de tecnologias em espaços domésticos (celulares, aparelhos de televisão, computadores etc.). A Abertura do livro "Forewords: The Mirror of Technology" foi escrita por Marilyn Strathern e traz algumas reflexões interessantes sobre o consumo de tecnologias, além de um panorama crítico sobre os artigos que compõe o volume.

The local "culture" turns these global itens into manifestation of the "local" culture!
Começa a autora. A experiência individual, neste caso, parece funcionar como um tipo similar de conversão. cada pessoa individual é, nesse sentido, a cultura de um só. Assim, a casa contextualiza o "comportamento" das tecnologias enquanto objetos que também habitam os lares, ocupam seu próprio espaço dentro de um espaço doméstico, torna-se parte da dinâmica da vida cotidiana e das relações familiares.
Essas tecnologias podem se tornar fundamentais para a dinâmica dos relacionamentos familiares, mas não são elas mesmas a razão destes relacionamentos, já que estes objetos lidam com aquilo que já está lá, com o que já deu forma à vida das pessoas. Eles são "domesticados" para finalidades tanto culturais, quanto sociais.

Um dos temas recorrentes do livro é que as tecnologias são descritas como aquelas que recebem significados sociais. Assim, longe de aumentar o isolamento das pessoas umas com as outras, as tecnologias da comunicação podem reforçar a sociabilidade. Elas não apenas se encaixam nas condutas das relações sociais, mas parecem dar às pessoas a sensação de que existe mais interação (sociabilidade) do que, de fato, há. Juntos, os artigos deste volume questionam o determinismo de que as pessoas sejam passivos recipientes de produtos. Os autores mostram como esses itens são domesticados na sociabilidade da família e moldados pelas complexidades das interações familiares.

Você pode dar uma olhada na lista dos artigos que compõe o volume aqui no GOOGLE BOOKS

Boa leitura!