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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Consumismo entre os "tween"



Super interessante a matéria de capa da última edição do jornal da Unicamp. Uma pesquisa mostrou o alto consumo entre os "tween", ou seja, pré-adolescentes - crianças entre 8 e 14 anos.

Veja a reportagem na íntegra: pequenos consumidores


quarta-feira, 29 de julho de 2009

O mundo de acordo com Playmobil


Por Magda Ribeiro

O mundo em que vivemos é uma construção social, estamos todos de acordo quanto a isso. Há, contudo, tipos muito específicos de construções da realidade e de modelos socialmente fabricados e prescritos. Os brinquedos, muito embora pareçam simples 'jogos infantis' são capazes de construir complexos significados acerca do como nos entendemos, especialmente esses pequenos seres, as crianças, cuja imaginação e distinção acerca da 'ficção' e da 'realidade' está por se configurar.

Ao considerar que brinquedos são representações simbólicas, o artigo The World according to playmobil (2009), se apresentou como um interessante exercício de semiótica para pensar a organização de objetos cotidianos, neste caso, um tipo específico de brinquedo infantil. O autor destaca que brinquedos foram objetos de muitos estudos freudianos, mas não frequentemente na semiótica, muito embora seja inegável a capacidade de figuras e bonecos, como os playmobil, de influenciarem as primeiras percepções dos atores sociais e oferecerem perspectivas de profissões, trabalho, lazer, raça, gênero, idade e classe social.

Playmobil oferece às crianças diferentes tipos sociais, associando-os à acessórios e atividades particulares, os playmobil estruturam um modelo de mundo social para crianças muito pequenas. Nesse sentido, o artigo foca na estrutura de playmobil como um recurso semiótico, naquilo que está e não está incluído, e também, no modo como acessórios são designados para comunicar uma perspectiva particular de mundo social.

A escolha de playmobil enquanto objeto de investigação trás duas importantes dimensões da semiótica: primeiro, as regras que conectam significante e significado e segundo, a produção e interpretação semiótica é multimodal. Deste modo, playmobil é identificado como um “sistema” distinto, embora as crianças brinquem misturando-os com outros brinquedos e outros “sistemas”.

Por essa razão, o autor empreende uma análise prévia sobre outros tipos de brinquedos, demonstrando uma interessante abordagem sobre as bonecas. Leeuwen considera que a iconografia das bonecas é um meio de representação do mundo e suas identidades são construídas culturalmente, já que ela é significada por atributos culturais, ou de modo geral, por atributos que podem ser modificados. No mundo das bonecas o que é “físico” e imutável e o que é “cultural” e transformado, pode ser articulado de maneira complexa

A partir disso, o autor empreende uma delicada análise, ao considerar os brinquedos enquanto possuidores de papel social, identidade e significado simbólico, afirmando que eles participam simultaneamente de um mundo real contemporâneo e de um mundo temporalmente distante e mítico. Leeuwen (2009) utiliza essa moldura teórica para, então, discutir alguns pontos chave nas características de playmobil. Suas principais considerações são: A identidade familiar desempenha um papel importante em playmobil; Alguns elementos como cabelo longo, capacete, cabelo grisalho fixam características de tipos sociais específicos; Eles representam o mundo social com certa capacidade de realismo

Para o autor (2009:311) playmobil é definido, não apenas por seus atributos “físicos” e “culturais”, mas também por suas atividades – curioso que apenas a “família étnica” não acompanha acessórios como casa, mobília, carro ou ferramentas. Leeuwen tenta demonstrar que o modo como esse sistema de brinquedo é designado e comercializado promove um modelo de sociedade, estruturado e organizado por alguns princípios como trabalho e lazer, idade, gênero, etnicidade e classe e pelas diferenças entre os mundos privado e público, marcando todas essas categorias sociais com clareza e atributos visuais.

Referência: Leeuwen, Theo Van (2009). The world according to Playmobil. Semiotica (2009), 299–315




sexta-feira, 15 de maio de 2009

Filmes e documentários - Criança, a alma do negócio

Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mai. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que umn adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falama diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Direção Estela Renner
Produção Executiva Marcos Nisti
Maria Farinha Produções
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